No final da Especialização, os formandos deverão ser capazes de:
1. Compreender o conceito de neurodivergência no adulto, enquadrando-o nos diferentes modelos explicativos (médico, biopsicossocial e neuroafirmativo) e reconhecendo as suas implicações clínicas, éticas e sociais.
2. Identificar as principais perturbações do neurodesenvolvimento no adulto, nomeadamente PHDA, Autismo, Altas Habilidades/Sobredotação, Perturbações da Aprendizagem e Perturbações da Comunicação Social e Pragmática, reconhecendo as suas características nucleares e apresentações clínicas específicas na idade adulta.
3. Conhecer as bases neuroanatómicas, neurofuncionais e neurodesenvolvimentais subjacentes à neurodivergência, integrando a evidência neurocientífica de forma crítica e clinicamente útil.
4. Realizar entrevistas clínicas desenvolvimentais no adulto, recolhendo informação relevante sobre história de vida, percurso académico, profissional, relacional e funcionamento atual.
5. Aplicar princípios de avaliação neuropsicológica neurodivergente-informed, selecionando instrumentos adequados, integrando dados quantitativos e qualitativos e valorizando a funcionalidade e a validade ecológica.
6. Diferenciar perfis neuropsicológicos em situações de sobreposição sintomática, nomeadamente no diagnóstico diferencial entre PHDA e Autismo, bem como em contextos de comorbilidade.
7. Reconhecer e avaliar o impacto do masking, da camuflagem social e do burnout neurodivergente, integrando estes fenómenos na formulação clínica e no planeamento da intervenção.
8. Avaliar o processamento sensorial e a sua relação com a autorregulação emocional e comportamental no adulto neurodivergente.
9. Identificar e avaliar comorbilidades psiquiátricas frequentes na neurodivergência, distinguindo sofrimento secundário de condições nucleares do neurodesenvolvimento.
10. Elaborar relatórios neuropsicológicos claros, rigorosos e neuroafirmativos, comunicando os resultados de forma ética e compreensível para o adulto avaliado.
11. Delinear planos de intervenção neuropsicológica individualizados, baseados no perfil cognitivo e funcional do adulto, com objetivos realistas e mensuráveis.
12. Aplicar estratégias de intervenção neuropsicológica dirigidas às funções executivas, metacognição, autorregulação emocional e sensorial, e adaptação funcional ao quotidiano.
13. Intervir considerando os diferentes contextos de vida do adulto neurodivergente, incluindo contexto laboral, relações interpessoais, parentalidade e participação social.
14. Colaborar de forma eficaz com outros profissionais (psiquiatria, terapia da fala, terapia ocupacional, contexto laboral e educativo), assegurando uma intervenção integrada e coerente.
15. Analisar e discutir casos clínicos complexos, formulando hipóteses clínicas integradas e ajustando planos de avaliação e intervenção com base em supervisão e reflexão crítica.
16. Desenvolver uma identidade profissional sólida e ética na área da neurodivergência no adulto, baseada na evidência científica, na prática reflexiva e no respeito pela diversidade neurológica.